Primeiras impressões: Mega Man Fully Charged (Eps. 1 e 2)



     Enfim Mega Man voltou as televisões. Desde o dia 4 de agosto, os dez primeiros episódios de Mega Man Fully Charged já estão disponíveis. Para não-estadunidenses, o acesso a esses episódios ainda é restrito: para não-assinantes do Cartoon Network, apenas os dois primeiros episódios foram liberados. E os mesmos só podem ser acessados por brasileiros através de proxy, já que tais episódios não estão disponíveis para fora dos Estados Unidos. Mas em um primeiro momento, os dois primeiros episódios são justamente os que mais importam. Compondo um pequeno arco introdutório, esses episódios ajudam a definir o que será Mega Man Fully Charged, tanto para bem quanto para mal.




     A abertura (vídeo acima), como uma boa abertura deve ser, ajuda a dar a tônica do que vem pela frente: foco em ação, com pitadas de comédia e referências aos jogos. O próprio tema de abertura é um remix da musica-título de Mega Man 2. E falando em Mega Man 2, a icônica cena do prédio subindo da as caras logo nas primeiras cenas do primeiro episódio. O primeiro robot-master a aparecer é Fire Man, e seu tema também aparece na animação. Inclusive, mesmo com seu visual reimaginado, Fire Man ainda é bem fiel ao seu visual original. Mesmo com uma identidade visual bem própria, Fully Charged ainda é plenamente reconhecível como derivado da série clássica. É cedo para dizer se tais referências serão apenas superficiais, mas ao menos nesse começo de história elas funcionam bem.


Pixel-art: uma presença constante nos episódios

     Entre os recursos visuais, vale o destaque para o uso extenso de cenas e objetos em pixel-art. Inclusive, certas cenas cômicas usam a pixel-art de maneira alegórica, de maneira análoga a que um anime usa o side deformed. E funciona. Mesmo a animação 3D acaba sendo um fator que reforça a sensação de que estamos diante de um jogo. Ela ecoa video-game a todo o momento, e na maior parte do tempo se demonstra fluida. Apesar disso, algumas cenas mais estáticas tendem a ser... bem, estáticas. Assim como algumas colisões apresentam pouco impacto. Uma certa cena em que pedaços de rocha despencam em direção aos personagens irá lembrar Mighty no. 9 e pelos motivos que vocês já imaginam. Mas no geral, os designs lembram Mighty no, 9 pelos motivos certos. Todo o visual "mezzo cartoon, mezzo anime" lembra MN9. Mesmo o constante uso de luzes nos personagens lembra o não tão bem sucedido jogo de Inafune. Mas ao contrário de MN9, Fully Charged tem cores bem mais vivas e usa muito menos sombra. 


Fire Man e seu novo visual

     O terreno se torna mais nebuloso quando olhamos personagens e temas abordados. Qualquer um que assista a essa animação deve ter em mente que, por mais Mega Man que ela seja, ela não será o Mega Man da sua infância. Personagens e cenário são nitidamente influenciados pelos jogos, mas com diferenças gritantes. A primeira de todas é ter havido uma guerra entre humanos e robôs antes do começo da história. Algo que, de certo modo, acontece nas séries X e Zero, mas não na série clássica. No mundo dessa animação, robôs e humanos aprenderam a colocar suas diferenças de lado e passaram a viver em mutua colaboração. E é justamente esse o conflito central desse episódio: de um lado temos Seargent Night, um humano veterano de guerra que nutre ódio pelos robôs. Do outro, Fire Man, um robot-master descontente do tratamento que lhe é dado pelos humanos. Mega Man deve parar Fire Man antes que o pior aconteça. E o pior é justamente o que Night espera para justificar seu ódio. E é bem claro o que foi tentado aqui: usar robôs como alegoria para minorias. Algo que, além de ser tema recorrente nas bases de Mega Man, como contos de Asimov e Astroboy, é algo que já existe mesmo em Mega Man, com destaque para Mega Man Zero. Mas aqui soa gratuito e sem peso. Não ruim. É funcional como trama, funcional como construção de universo e funcional como a construção de Mega Man. Mas é isso, não espere nenhum grande subtexto ou sutileza.

Aki Light: o novo Mega Man

.     Aki Light, o Mega Man dessa animação (e não adianta chorar: Mega Man já foi a alcunha de Rock, Volnnut, Hub, Subaru, Vent e forçando a barra até de X. Um novo personagem ganhar a alcunha de Mega Man não é um problema), é um personagem que ainda não mostrou a que veio. Sabemos que ele é um robô criado por Dr. Light, bem como Rock nos games, mas ao contrário de Rock, Aki tem em Mega Man uma identidade secreta, que esconde até mesmo de Dr. Light. Ou seja, Aki não tem a mesma origem que Rock, que pediu para ser transformado em Mega Man. Isso é algo que lamento, pois vejo força na história de origem de Mega Man: ele assumiu a responsabilidade de enfrentar os males causados pelos robôs de seu "pai". Aki não terá isso, mas terá outro tipo de pressão. Além do peso de se assumir como herói, Aki deve se esforçar para que a paz entre humanos e robôs se mantenha. E tudo isso sem contar com a ajuda de quase ninguém além de Suna Light e Mega Mini, dos quais falarem mais adiante.


Dr. Light

     Dr. Light também é relativamente diferente. Mais cômico e mais aventureiro, o Light da animação é algo que me agradou bastante. Mais que o bom cientista da série clássica, o Light de Fully Charged parece ter potencial para roubar a cena em muitos momentos. Primeiro, por também ter seu passado ligado a tal guerra, e segundo por ter uma filha biológica. Sim, ao invés de Roll, temos Suna Light como "garota sidekick" de Mega Man, e é aqui que entramos no território dos personagens inéditos.


Suna Light

     Aqui  há duas figuras que merecem destaque. Suna Light e Seargent Night. Suna é carismática. Com visual beirando o tomboy, é nítido que tentaram fazer dela uma personagem mais apta a participar da ação. O que não é problema, já que Roll Caskett era basicamente isso, mas com um visual mais "Roll". Apesar de também não ter mostrado a que veio, é interessante ver uma humana como membro da "família Light". Isso tem potencial para ser interessante caso os roteiristas queiram dar camadas a essa animação. Por outro lado, ainda não nutri nenhuma simpatia em especial por ela, e eu imaginava que isso iria acontecer.




     Do outro, temos Sergeant Night. Com um braço mecânico, bigote e patente militar, Night nutre rancor pelo período de guerra e se mostra contrário aos robôs. O que, pelo menos para mim, não funcionou tão bem. Night não é caricato, mas é estereotipado. Para se transformar em vilão de algum típico cartoon dos anos 80 só lhe faltou as gargalhadas e o visual exagerado. Não que Wily não fosse nascido de clichês, mas o bom e velho cientista é um personagem mais completo do que a maioria nota, com marcas de personalidade e até algumas nuances. Além de, para todos os efeitos, ser um bom vilão cômico. Ao menos até aqui, Night não é engraçado, mas também não tem o peso de um Dr. Weil, de Mega Man Zero, no qual tem algumas características em comum. No final do segundo episódio, há um pequeno twist que pode mudar a forma como o personagem agirá daqui para frente. Não chega a ser surpreendente, mas ainda sim é interessante.



     Outro elemento inédito que merece destaque é a forma como a captura de poderes é feita. Diferente de outros jogos e animações, ela não é instantânea ou demanda a derrota de um inimigo: Mega Man precisa manter a mira travada no inimigo por alguns instantes para que a cópia seja completa. Essa é uma dinâmica que ajuda a gerar mais tensão, já que a cópia se torna mais complexa do que a forma como a Ruby-Spears a retratou. Mas além disso, Mega Man também absorve parte da personalidade do robot-master, gerando ainda mais dificuldade na hora de usar os poderes. E tais ideias, ao menos nesse primeiro episódio, se mostraram bem equilibradas. Outra menção válida de se fazer é quanto a Mega Mini. Presente dentro do capacete de Mega Man, ele o ajuda a gerenciar seus poderes e informações, bem como as navegadoras da série costumam fazer. Aos que temem por uma figura irritante, Mega Mini até cumpre bem seu papel. Nem sempre seu humor funciona, mas no geral ele não prejudica.


Elenco principal completo

     Mega Man Fully Charged é uma animação curiosa. Ela adéqua Mega Man as regras do mercado atual, como o cartoon da Ruby-Spears fez no passado. Porém, com mais respeito aos games, como a HQ da Archie. Talvez o produto que mais se assemelhe a esse cartoon seja a subestimada HQ da Dreamwave, que usava de ideias e designs dos jogos para criar algo novo. Fully Charged é Mega Man e é novo ao mesmo tempo e é isso que se pode ler desse começo. Resta saber se os próximos episódios manterão esse equilíbrio. É isso que essa animação precisa ser.
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3 Comentários:

  1. Desculpa mas mesmo assim não tô nem um pouco interessado de ver!

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  2. Eu estava afim de assistir o Rockman.exe de novo, mas não acho em nenhum lugar para assistir os episódios. Sempre tá na ordem errada

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  3. Vou tentar encontrar. Caso eu consiga eu postarei na página do Rockman Central

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