Mighty Nº 9 é tão ruim assim?

   

     Olá caros leitores, no texto de hoje vou deixar minha opinião sobre o polêmico Mighty No. 9 que, ainda em sua fase de concepção, foi bastante aclamado pela fanbase do Mega Man como sendo seu mais provável 'sucessor espiritual'. O que no começo parecia ser uma "luz no fim do túnel" se transformou num sentimento de ódio por parte das pessoas que participaram na campanha de arrecadação no Kickstarter e do resto do público que aguardava ansiosamente o lançamento do jogo. Quero deixar claro que não tiro a razão de quem está insatisfeito com a situação, porém, não venho aqui criticar mas provar que esse jogo não é tão ruim quanto fazem parecer.


GRÁFICOS ACEITÁVEIS

     Nesse quesito eu compreendo perfeitamente a frustração de muita gente, afinal, um jogo que arrecadou uma quantidade imensa de dinheiro deveria satisfazer esse aspecto de forma altamente satisfatória. Obviamente não foi o que aconteceu, o resultado são gráficos medíocres que alguns até comparam os gráficos com o dos jogos lançados para o Nintendo Wii e até mesmo o Playstation 2. Além disso os designers nem mesmo se deram ao trabalho de criar animações um pouco mais detalhadas para os modelos 3D de cada personagem, o resultado é que, mesmo durante os diálogos, os personagens sequer mexem a boca ... realmente, um ponto negativo.

     Do tanto que joguei, considero os gráficos como sendo aceitáveis para um jogo do tipo. Claro que alguns cenários ficaram estranhos e mal preenchidos (vide o caso do estágio do Mighty Nº 1),  paralelamente, em outros cenários vemos o extremo oposto, pois, estão ricos em detalhes e cores sendo o exemplo perfeito a fase do Capitólio onde Countershade está localizado. Lá temos de explorar diversas salas decoradas com uma vasta quantidade de elementos decorativos (como quadros posicionados nas paredes) além de móveis, colunas e diversos inimigos disparando tiros para todos os lados ... sem dúvida um verdadeiro show de luzes.

Outro exemplo perfeito de cenário bem trabalhado - via Gamespot


CHEFES CARISMÁTICOS

     Uma das coisas que mais gostei nests jogo são os chefes, ou Mighty Numbers se preferirem, que demonstrar ter uma boa dose de carisma que fica bem expressa por meio dos diálogos que ocorrem durante suas respectivas fases. Dentre os que eu mais gostei está a Cryosphere, também conhecida como Mighty Nº 2, que me cativou com seu estilo de luta e as piadas infames durante o gameplay... Confesso que dei altas risadas com a situação da imagem abaixo.

Clique para ampliar

     Algo similar pode ser dito do Brandish com seu estilo ninja de ser, sem mencionar sua personalidade um tanto parecida com a do Proto Man. O mais interessante é que ele reagiu de forma diferenciada se comparado com o resto dos Mighty Numbers e, após ser derrotado, até ajuda o Beck em certos cenários, seja por dar cobertura para que o mesmo avance em certos níveis ou por dar dicas antes que a fase se inicie (isso ocorre antes do jogador selecionar a fase da Dynatron).

     Outra personagem que também me pareceu bastante interessante é a Rey (que se assemelha bastante com Zero). Com base no feedback demonstrado pelos ogadores que compraram a DLC com o capítulo extra é possível afirmar que Rey poderia muito bem ter seu passado explorado em um futuro jogo, coisa que infelizmente pode nunca ocorrer graças ao alvoroço que o lançamento pra lá de atrasado gerou ... simplesmente uma pena.


GAMEPLAY FRENÉTICO

     Se teve algo que me cativou mais foi o grau de destreza necessário para poder avançar em certos cenários, especialmente aqueles recheados de superfícies espinhentas ou que possuam abismos um tanto quanto espaçosos. Como se isso não bastasse, o jogador ainda precisa se preocupar com hordas de inimigos, dos mais variados tipos, que vão surgindo à medida que Beck caminha, e prestar atenção para não cair em armadilhas.

     Dependendo do Mighty Number que se enfrente o resultado pode ser uma luta onde o jogador vai apanhar bastante até entender os padrões de ataque do inimigo e conseguir bolar uma estratégia eficaz. Novamente cito a Cryosphere e Dynatron por conta da velocidade com as quais executam seus golpes já que derrotá-las usando a arma padrão do Beck vai ser uma tarefa um tanto quanto desafiadora (se você gosta desse tipo de coisa então escolheu o jogo certo). No vídeo abaixo vocês podem ter uma noção de como as coisas funcionam (o que pode variar dependendo da dificuldade selecionada previamente).


     Da minha parte, tendo feito um longo tempo desde que sentei na cadeira e finalizei algum jogo da Série Clássica, considerei o grau de dificuldade 'Normal' como sendo um tanto desafiador (diferente de alguns poucos jogadores que tem prática em jogos do gênero). Cansei de contar o tanto de vezes que morri na fase da Dynatron ou tentando chegar vivo ao final da fase do Brandish com pelo menos mais de uma vida, acredito que parte dessa dificuldade se deve ao fato de eu não possuir um joystick para dispensar o uso do teclado do meu notebook (essa pode ser uma desculpa esfarrapada ... ou não hahaha xD).



SENTIMENTO NOSTÁLGICO


     Logo nos primeiros minutos de jogo tive a sensação de estar re-jogando títulos como Mega Man X e Metroid mas até aí nada de muito espetacular, pois, o fato de termos de correr, pular e atirar com o personagem é algo bem característico do gênero plataforma. Ainda falando do primeiro título da série X para o Super Nintendo, temos que admitir que nesse ponto os produtores se preocuparam em deixar algumas referências aqui e ali ao longo da jogatina que vão agradar os fãs mais atentos.

     A possibilidade de jogar com a Call em um certo momento da trama matou parte da minha curiosidade de saber como seria jogar com a Roll em algum game da linha principal na Série Clássica (vale lembrar que o remake Powered Up para PSP permite tal façanha). A trilha sonora, apesar de não contar com faixas que eu tenha gostado muito, até que reflete bem o clima que cada fase passa e para os mais nostálgicos é possível ativar músicas em 8-bits (que podem saciar o nível de saudosismo que alguns possam nutrir).


MAS VALE À PENA?

     Se você chegou até aqui então até sabe qual o meu posicionamento sobre Mighty Nº 9... Colocando em termos simples: se trata de um jogo que cumpre seu objetivo em divertir e manter o jogador entretido, de quebra temos diversos elementos presentes na franquia Mega Man que deixam MN9 com um tom familiar para os fãs do azulzinho. A trilha sonora, apesar de não ser tão marcante quanto as que já ouvimos nos diversos jogos do Mega, tem lá suas faixas bacanas e que até viciam.

     Também vale ressaltar que, se tratando dos 'goals' propostos na campanha do Kickstarter, praticamente "tudo" foi entregue (ainda que esses conteúdos extras não tenham agradado a muitos). Particularmente esperava mais do modo cooperativo, sem mencionar a animação que seria produzida e que hoje deve ter sido varrida para debaixo do tapete.

     No fim das contas acredito que se trata de um jogo que vale à pena ser jogado desde que você, caro leitor, esteja disposto a abdicar um pouco a ideia de que MN9 é (ou seria) o sucessor espiritual do Mega Man e deixar o ceticismo um pouco de lado. Tenho certeza que a experiência será bem mais agradável caso adquira o jogo em alguma dessas promoções que a Steam faz todos os anos.

Sei não hein ... 

Share on Google Plus
    Blogger Comment

0 Comentários:

Postar um comentário